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Biotécnica
BIOTÉCNICA
PRÓTESES E ÓRTESES
CAPÍTULO 4 · PÁGINAS 27 A 36

Próteses em Silicone nas
Amputações Parciais do Pé

André
André Cristiano da Silva
Autor do capítulo · Fundador da Biotécnica

Um capítulo sobre como as próteses de silicone se tornaram referência na reabilitação de amputações parciais do pé, unindo tecnologia, função e estética para devolver mobilidade e autoestima ao paciente.

André Cristiano da Silva

Neste capítulo, André aborda as próteses de silicone para amputação parcial do pé, um segmento que se tornou referência na ortopedia técnica. Antes, esses pacientes eram tratados apenas com palmilhas e calçados ortopédicos. Hoje, fala-se em prótese funcional, e não somente em estética: o amputado recupera mobilidade e, muitas vezes, retorna a estilos de vida ativos e relativamente normais.

As quatro funções principais

01
Restaurar o braço de alavanca do comprimento total do pé.
02
Corrigir e apoiar o alinhamento ideal do restante do pé.
03
Assegurar sustentação confortável, aliviando áreas sensíveis e proeminências ósseas.
04
Melhorar a aparência cosmética do pé.

Quando indicar uma prótese de silicone

A indicação exige avaliar três pontos. O nível da amputação, por meio da análise biomecânica da força exercida pela prótese no membro residual e vice-versa. As condições do membro residual: presença ou não de ferimento aberto, cicatriz, protuberância óssea, sensibilidade e espessura de tecido mole. E a discrepância de membro.

Principais restrições

Ferimento aberto ou amputação ainda com cicatrização incompleta, úlceras ou mal perfurante.
Não suportar carga de peso na região (apenas para cobertura estética não seria uma restrição).
Comprometimento circulatório e/ou edema que varie constantemente o volume do coto.
Discrepância importante de membro, principalmente em amputações maiores.

O material e a fabricação

São produzidas com silicones à base de platina, de uso medicinal, em dois tipos: RTV (cura em temperatura ambiente) e HTV (cura em alta temperatura). Podem ser fabricadas vertendo silicone sobre um molde previamente desenvolvido, ou por técnicas mais avançadas, como escaneamento 3D e replicação via impressão 3D. Mesmo com recursos tecnológicos, essas próteses são desenvolvidas artesanalmente e exigem qualificação e talento artístico.

Vantagens

Variar a dureza do silicone em áreas específicas, acolchoando regiões sensíveis.
Facilidade na higiene e limpeza da prótese.
Grande durabilidade e resistência.
Conforto e proteção da região amputada.
Fácil de vestir e de escolher calçados.
Paredes do encaixe mais finas e aderentes à pele, mantendo boa suspensão.

Desvantagens

Peso: muitas vezes podem ser pesadas para o braço de alavanca do membro residual.
Dificuldade de ajuste de medidas, no caso de atrofia de coto ou grande hipertrofia.

Tipos de suspensão

Sucção
A mais comum. A compressão elástica do encaixe gera contato total, sem permitir a entrada de ar.
Cintas e alças
Usadas quando não há uma boa coaptação do coto amputado.
Colas especiais
Pouco recomendadas, pois podem danificar a prótese e exigem maior atenção do paciente.
Osseointegração
Fixação por pino metálico. Ainda pouco comum, por custo e disponibilidade de materiais.

Níveis de amputação e suas soluções

Hálux
Principal responsável pelo equilíbrio corporal. A prótese restaura o dedo e auxilia na marcha e na estabilidade do paciente.
Hálux e adjacentes
Quando a cabeça metatarsiana está preservada. A suspensão costuma ser por alça no antepé.
Dedos e falanges
Considera amputações em que o hálux está preservado, de uma falange a mais dedos.
Transmetatarsiana
Amputação do osso metatarsiano. A prótese leva complementação em silicone para melhor estabilidade de marcha.
Lisfranc
Bom para o uso de prótese em silicone. Comum haver desvio em varo e flexão plantar, exigindo atenção no projeto.
Chopart
Membro residual mais curto, porém ainda protetizável, preservando o tálus e o calcâneo.
Syme e Pirogoff
Amputações mais curtas, com maior dificuldade no uso de prótese de silicone, mas possíveis com boa avaliação.

Conclusão

É possível obter resultados satisfatórios e gratificantes, com os pacientes retornando a uma boa mobilidade e às suas atividades normais. Todas as fotos do capítulo são de pacientes avaliados, com termo de consentimento, e próteses produzidas pelo próprio autor.

Quer uma avaliação com quem é referência na área?

Fale com o André e a equipe da Biotécnica.

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